7º Fascículo

7º Fascículo – Fevereiro de 2014

Dom Mateus de Abreu Pereira

Neste mês que comemoramos o aniversario de cento e oitenta e nove anos de nossa paróquia, com a abertura do ano jubilar e a dedicação a Deus da Igreja Matriz, vamos dedicar esse fascículo ao conhecimento de uma das pessoas mais importantes para a criação da freguesia do Senhor Bom Jesus dos Batatais, que é o senhor Bispo de São Paulo, Dom Matheus de Abreu Pereira.

Dom Matheus de Abreu Pereira

Vamos conhecer, brevemente, um dos responsáveis pela criação da freguesia do Senhor Bom Jesus da Cana Verde, Dom Matheus de Abreu Pereira, o quinto bispo diocesano de São Paulo. Foi ele quem recebeu o pedido para a criação de uma freguesia na paragem dos Batatais, o pedido foi encaminhado por Manuel Bernardes do Nascimento, Alferes Antonio Jose Dias e assinado por todos os moradores, do então Arraial dos Batatais.

O nascimento de Dom Matheus se deu no dia 08 de agosto de 1742 na Ilha da Madeira, em Portugal. Seus pais eram Antonio de Abreu e Francisca Gonçalves de Andrade, naturais da freguesia do Campanário, atualmente Funchal, capital da Ilha da Madeira.

Possuidor de uma cultura invejável, dotado de inteligência avançada, estudou em Paris, na França e em Coimbra, Portugal. Formou-se em Direito Canônico e foi ordenado padre com vinte anos de idade, em 1761. Sendo padre diocesano foi pároco da paróquia de Ventosa do Bairro e Almedina, na diocese de Coimbra. Por ser diocesano, isto é, por servir diretamente ao bispo e por estar diretamente ligado aos leigos, era também chamado de padre secular do hábito de São Pedro, isso para diferenciar do clero regular, ou seja, dos que seguem uma regra religiosa, como por exemplo, os Franciscanos.

Foi indicado para ser bispo de São Paulo por Dom João, príncipe regente de Portugal, em 02 de Agosto de 1794, contava nessa época com cinqüenta e dois anos de idade, quando sua indicação foi aceita pelo Papa Pior VI, no dia 01 de Junho de 1795.

A ordenação episcopal aconteceu no dia 13 de setembro de 1795, na igreja de São Francisco de Paula, em Lisboa, pelo bispo de Angola, Dom Luis de Brito Homem. Esse mesmo bispo mais tarde se tornou bispo do Maranhão. Os bispos consagrantes foram: Dom Alexandre da Silva Pedrosa Guimarães, bispo de Macau, China e Dom Jose Joaquim da Cunha Azevedo Coutinho, bispo de Olinda.

Sua posse se deu em Portugal, mesmo através de uma procuração datada de 19 de março de 1796, a diocese de São Paulo foi governada ate sua chegada pelo “Arcipreste do Cabido”, o Protonatário Apostólico, Monsenhor Doutor Paulo de Souza Rocha. A chegada de Dom Matheus se deu no dia 02 de Maio de 1797, no porto de Santos, onde permaneceu por alguns dias para descansar. Veio acompanhado por mais duas pessoas: seu sobrinho o “acediacono” Cônego Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade e o bacharel Francisco Vieira Goulart. Finalmente sua chegada em São Paulo se deu, ainda, no mês de maio daquele mesmo ano.

Dom Matheus manteve muito boas relações com as autoridades civis, principalmente com o governador Bernardo Jose de Lorena. Foi nobre, pertenceu à burguesia do império e chegou a ser Conde Romano alem de pertencer ao alto Clero.

São inúmeros os benefícios que Dom Matheus proporcionou para a igreja, para a província de São Paulo e para a Coroa portuguesa. Vou mencionar algumas apenas: enfrentou o governador Antonio de Melo Castro e Mendonça n disputa pelas taxas de casamentos e melhoras nas côngruas ao clero; dedicou-se, inteiramente, a formação do clero, uma vez que era um homem erudito incentivando os estudos humanistas e iluministas, em 1809 criou as cadeiras de teologia Dogmática e teologia Moral; dedicou uma carta Pastoral na qual detalhava as exigências para a formação e ordenação do clero; procurou estabelecer regras para disciplinar o comportamento dos padres, tendo conseguido muitos resultados, sendo que no seu governo destacou o Frei Antonio de Santana Galvão que foi canonizado pelo Papa Bento XIV. Desta escola de Dom Matheus também saiu o nosso conhecido padre Bento Jose Pereira, o segundo padre da nossa paróquia; o que fez a mudança geográfica da paróquia da fazenda Batatais para o campo Lindo das Araras. Dedicou, ainda, muitas outras cartas pastorais para o bem do povo e salvação de suas almas, cartas estas que estão todas dedicadas no primeiro livro tombo de nossa paróquia.

Homem de vida apostólica, fez varias viagens para visitas Pastorais, praticamente todas as paróquias do bispado de São Paulo; instalou seu Palácio Episcopal na chácara da Glória, na rua do Carmo, onde tinha uma magnífica biblioteca, que depois de sua morte foi doada à faculdade de Direito de São Paulo.

Em 15 de setembro de 1796, criou duas paróquias na cidade de São Paulo: a freguesia do Ó e a Freguesia de Nossa Senhora da Penha de França, com isso a cidade passou a ter três freguesias, contando com a Sé. Criou a freguesia de Franca em 1808; em 21 de abril de 1809cria a Freguesia do Senhor Bom Jesus de Matosinhos do Brás.

Aqui se faz necessário escrever que Dom Matheus tinha como devoção pessoal a invocação do Senhor Bom Jesus, que também era uma devoção popular em Portugal.

Como já dito anteriormente, Dom Matheus, desfrutava de ótimo relacionamento com as autoridades civis e por quatro vezes compôs o triunvirato que governava a capitania de São Paulo. A primeira vez em 1808, juntamente com Miguel Antonio de Azevedo Veiga e Joaquim Manoel do Canto. A segunda vez de 1813 e 1814, juntamente com Dom Nuno Eugenio Lócio e Miguel José de Oliveira Pinto. A terceira vez de 1816 a 1819, com os mesmos componentes anteriores. A quarta vez de 1822 e 1823, juntamente com José Correia Pacheco e Silva e Marechal Cândido Xavier de Almeida e Sousa.

Dom Matheus, foi favorável à independência do Brasil e nesta ultima participação, na junta governamental, defendeu a paz no Brasil e o novo governo imperial, sendo por isso condecorado, por Dom Pedro I, com a Imperial Ordem do Cruzeiro.

Quero destacar quatro momentos importantes da participação direta de Dom Matheus para o povo de Batatais. O primeiro: aceitou criar a Freguesia de Batatais, que depois recebeu Alvará Régio de Dom João VI. O segundo: foi ele quem determinou o padroeiro da Freguesia, uma vez que os moradores do local deixaram à sua escolha e ele escolheu o da sua devoção. O terceiro: designou o Padre Bento José Pereira, seu aluno, para ser o segundo pároco da Freguesia. O quarto: autorizou a mudança da sede da Freguesia da Fazenda Batatais para a sede própria no Campo Lindo das Araras e permitiu a construção da nova igreja matriz no dia 25 de setembro de 1821; em 1823 ela já estava construída, porem inacabada.

O zeloso e determinado pastor morreu no dia 05 de maio de 1824, com oitenta e um anos de idade.

Bom Jesus da Cana Verde