5º Fascículo

5º Fascículo – Setembro de 2013

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Queremos, neste fascículo, fazermos uma homenagem ao senhor José Martins de Barros, um dos maiores colaboradores, patrocinador e incentivador das obras de Cândido Portinari na Igreja Matriz. Para esta homenagem contei com a colaboração da gentil senhora Beatriz Cardoso Toffetti, a quem sou muito grato pela amizade e valiosa colaboração dada ao nosso grupo de estudos, que o Senhor Bom Jesus lhe abençoe.

O Sr. José Martins de Barros

Estamos celebrando, neste ano, o sexagésimo aniversario de instalação das obras do pintor Cândido Portinari, na Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus da Cana Verde dos Batatais.

No início da década de cinquenta, do século passado, as obras da Igreja Matriz estavam para serem concluídas e como a construção é monumental, o Monsenhor Joaquim Alves Ferreira organizou uma comissão para o término da mesma. Entusiasmados com a beleza da obra, contrataram o artista plático Cândido Portinari, para fazer a decoração interna do templo com obras sacras, assim se deu, em 14 de marco de 1953, a colocação de sete painéis e em 14 de março de 1955 a colocação de mais quatorze painéis, sendo estes, a Via Sacra.

Dentre os homens daquela comissão se encontrava o senhor José Martins de Barros que foi o maior patrocinador e colaborador das obras, foi, ainda, graças a essas obras, que Portinari ganhou um grande amigo, admirador e incentivador; o senhor José Martins de Barros a quem homenageamos neste fascículo.

José Martins de Barros, filho de Joaquim Martins de Barros e Francisca Garcia Macedo, nasceu em 08 de abril de 1886, tendo sido batizado no mesmo mês, pelo Cônego Joaquim Alves Ferreira, sendo padrinhos Seraphin Ferreira Borges e Jesuína Borges.

Sendo avós paternos, Gabriel Martins de Barros e Custódia Umbelina de Magalhães, vieram de Ayuroca (Minas Gerais) para Batatais, onde adquiriram uma gleba de terra- Fazenda Cachoeira- em que fixaram residência e construíram família.

José, quinto filho do casal, passou a infância na lida rural junto com sua família, tendo trabalhado inclusive como carreiro de boi. Teve apenas três meses de escola. Quando jovem, aos 22 anos, passou a trabalhar como colono para o próprio pai, de quem dois anos depois, comprou uma pequena gleba, com casa própria, também na Fazenda Cachoeira.

Casou-se com Maria Elesbã de Castro Barros, filha de Pedro Martins de Castro e Helena Rosa de Viterbo (irmã do Major Antônio Cândido, doador do hospital da cidade). Tiveram 12 filhos.

Dotado de grande visão de negócios e força de trabalho- ao qual dedicou inteiramente toda sua vida junto com a mulher e os filhos- e coragem frente aos desafios, adquiriu varias outras glebas de terra na região e multiplicou muito seu patrimônio.

A partir de 1946, entregou todo esse patrimônio em doação a seus filhos, já todos adultos, para que dele, no trabalho, cuidassem e desfrutassem.

Espírito altruísta e solidário, sempre preocupado com os problemas sociais, investiu intensamente no trabalho beneficente, atuando em diversos setores, sobretudo na assistência à infância, para a qual tinha especial atenção. Entre esses trabalhos destacam-se:

  • Foi membro da comissão de construção do prédio da Igreja Matriz
  • Trabalhou com empenho para a colocação de telas de Cândido Portinari nesta igreja, não só tendo contatado e contratado o trabalho do pintor, como também tendo custeado 80% do valor destas obras.
  • Trabalhou duramente oito anos, administrando, fazendo e angariando donativos para a construção do Instituto de Menores da cidade, obre de assistência à criança abandonada, criada em parceira com o Estado.
  • Colaborou com a construção de Seminário Arquidiocesano de Brodowski, obra que foi o sonho de D. Luiz de Amaral Mousinho, então bispo de Ribeirão Preto, por quem tinha grande admiração.
  • Doou casas para a conferência São Vicente de Paulo e contribuiu para a construção da Igreja Matriz.
  • Colaborou, substancialmente, durante toda a vida, com o hospital e o asilo de idosos da cidade.
  • Seu ultimo trabalho filantrópico, a menina de seus olhos, foi a creche Menino de Jesus – cuja conclusão ele se propôs como missão de vida. A construção e administração da creche foram inteiramente custeada por ele e oferecida à cidade. Para manutenção da creche, deixou, aos cuidados de seus filhos, designados para a diretoria da entidade, significativa quantia em dinheiro. Para a creche deixou também este seu retrato, feito por Portinari, de quem se tornou amigo particular e admirador: amizade e admiração recíprocas

Mais do que as obras que fez e ajudou a fazer, seu valor está no homem que foi, cuja filosofia de vida se expressa nas seguintes palavras:

“Constancia é a virtude da qual o homem nunca deve se separar. Em qualquer oportunidade, jamais deve prender-se a preocupações que venham a prejudicar o bom humor e menos ainda rememorar com amargura os fatos passados. O êxito decorre da fé no futuro risonho e sadio, produto da ação enérgica de um presente bem vivido, continuidade do passado, que reflete a força indomável de uma vontade sempre orientada para o Bem e o Trabalho”.

Faleceu em 1 de setembro de 1975, deixando exemplo pujante e perene de vida para as gerações vindouras.

Bom Jesus da Cana Verde