1º Fascículo

1º Fascículo- Fevereiro de 2013

Bom Jesus da Cana Verde
Caro leitores, estamos nos aproximando dos duzentos anos da criação da freguesia do Senhor Bom Jesus da Cana Verde de Batatais, para bem celebrar tal data pretendemos retomar a sua historia de mais do que ISS, torná-la conhecida, por isso, tivemos a idéia de escrevê-la em fascículos; não pretendemos seguir uma ordem cronológica dos fatos, mas sim, tomarmos temas diversos que, chegando ao final, o leitor e principalmente o colecionador poderá ter em mãos a obre completa da historia de “nossa freguesia” (Batatais)

A nossa história começou mais ou menos assim:

A história da Freguesia do Senhor Bom Jesus da Cana Verde dos Batatais, que não deixa de ser, também, a nossa história, começou com os pensamentos progressistas de dois fazendeiros do sertão de Batatais: Alferes Antonio José Dias e Manoel Bernardes do Nascimento. Homens trabalhadores e sonhadores.

Os caminhos e descaminhos, para chegarmos a estes homens trabalhadores e sonhadores, foram mais ou menos assim…

Adentrando o interior paulista, os bandeirantes criaram as paragens em locais onde, provavelmente, já havia povoação de índios. Eles eram levados para o norte no cultivo do milho, da mandioca, de legumes, da caça e da pesca e, posteriormente, foram utilizado no cultivo da cana de açúcar geradora de riquezas para a coroa portuguesa, por um bom tempo.

Depois de aberto os caminhos, seguindo pelas trilhas indígenas e criadas as paragens pelo interior do Brasil, em busca de riquezas, o rei de Portugal agraciou esses homens de coragem com lotes de terra. As doações consistiam em lotes de terras com dimensões gigantescas; dos quais, na verdade, não se tem o tamanho exato pela falta de precisão da topografia na época. Esses lotes foram chamados de sesmarias. Na verdade, muitos desses contemplados pelo rei nunca chegaram a pisar nessas terras.

Porem, no Brasil, a distribuição das sesmarias foi diferente, em finalidade, da que ocorreu em Portugal, onde as doações eram feitas como incentivo a agricultura e pecuária, para o sustento do reino. Já aqui no Brasil, tais doações eram gratificações e honrarias, na tentativa de incentivar a exploração de terras.

Com o declínio da cana de açúcar e um possível empobrecimento de Portugal, o rei, por volta do século XVIII, começou um novo investimento em sua colônia: a busca por riquezas naturais. Isto deu inicio à corrida pelo ouro, pela prata e pelas pedras preciosas e o nome das paragens mudou para caminhos. Daí a mudança de Paragem dos Batatais para Caminho dos Batatais, ou ainda, “Caminho dos Goyases”. Pode-se dizer que foi assim que começou o caminho do ouro encontrado em 1725, em Vila Boa, Goiás.

Se os caminhos foram importantes, muito mais importantes foram os descaminhos.

Como assim?

Com o encontro do ouro em Goiás, tornou-se necessária uma fábrica de fundição para mandar o produto para a Capitania e da Capitania para Portugal.

A princípio, a fábrica de fundição foi instalada em São Paulo dando, assim, movimento, trânsito nos Caminhos. Porém, da saída do metal das minas ate a casa de fundição e dessa para Portugal, havia extravio, desvio do ouro para outros lugares em benefícios particulares, para outras capitanias como, por exemplo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e ate mesmo chegando ao Maranhão. É o que hoje chamamos de contrabando.

Com o desvio do ouro, novos Caminhos, novas trilhas foram abertas. Não havia medidas ou formas governamentais que pudessem impedir ou barrar os desvios. A medida mais viável para solucionar o problema foi a implantação da casa de fundição em Goiás, onde estavam as minas. Instalada a casa de fundição em Goiás terminou o trânsito, a circulação pelos Caminhos.

A conseqüência do termino do trânsito do ouro foi o isolamento e o empobrecimento dos vilarejos e paragens dando origem a outra etapa da história que é o surgimento dos entrantes. Por entrante se compreende o nome dado aos posseiros e famílias inteiras que começaram a fazer o caminho inverso do ouro, adentrando pelos “Caminhos” para desenvolverem a prática da agricultura e pecuária. Tal prática deu origem às grandes fazendas nas sesmarias já existentes, nunca ocupadas ou exploradas, e localizadas ao longo dos “Caminhos”.

Dos entrantes, alguns tomavam posse das terras e formavam roças ilegalmente, eram os chamados posseiros, outros adquiriam as terras legalmente, legitimamente, comprando-as e tendo escritura das mesmas. Eram posseiros e fazendeiros vindo de todas as partes, das mais diversas regiões e capitanias.

Em nossa região os entrantes vinham de Minas Gerais, São Paulo, Itú, Santos, São Vicente, Rio de Janeiro e até de Salvador. Prevalecendo em nossa freguesia, os vindo de Minas Gerais.

A partir de então começa, mais precisamente, a história de nossa Freguesia.

Nesse contexto de entrantes, posseiros e fazendeiros dos descaminhos, no século XVIII, é que surgem os grandes nomes, os personagens da história de Batatais, com suas fazendas legal ou ilegalmente adquiridas. São eles: Alferes Antônio José Dias, dono da fazenda Paciência; Manoel Bernardes do Nascimento, dona da fazenda dos Batataes e Germano Moreira, dono da fazenda Campo Lindo das Araras.

Assim, continuaremos nossa história em outro fascículo, não precisamente com o mesmo tema, mas no mesmo contexto: A história de Batatais.

Bom Jesus da Cana Verde