11º Fascículo

11º Fascículo – Fevereiro de 2015

Batatais

Neste décimo primeiro fascículo quero apresentar a história do hino de Batatais composto pelo músico batataense Hércules Olivieri, com arranjo do professor Osmar Rubens Jeycic e letra da professora e escritora Regina Maura de Souza Barbosa a quem agradeço a gentileza do texto.

OS DOIS HINOS

Regina Maura de Souza Barbosa

O tempo não retroage; ao contrário, segue adiante, o mesmo ocorrendo à História, feita que é de acontecimentos transcorridos ao longo do tempo.

Em 1939, quando Batatais comemorou 100 anos de emancipação política, dois de seus filhos ilustres, a saber, o Major Antão Fernandes, então regente da banda da Força Pública do Estado de São Paulo e autor da introdução do Hino Nacional Brasileiro e o professor Nogueira Braga, catedrático de Português do Colégio Progresso, de Campinas, uniram-se, para juntos presentearem a cidade onde nasceram, com o Hino ao Centenário de Batatais: “ Batatais minha terra querida, meu encanto, meu sonho de artista. Há cem anos surgiste na vida e na história do povo paulista”. Os citados versos deixam evidente o propósito que motivou os autores a compô-lo, ou seja, a celebração do primeiro centenário de sua amada terra, não havendo como negar, seja autoria do referido hino, seja o motivo que gerou a sua composição. Trata-se, pois, de um fato histórico.

Na ocasião, Batatais estava toda engalanada para receber os integrantes da banda regida pelo major Antão, juntamente com o letrista Nogueira Braga, mesmo porque, sabedores que muitos eram da importância do major Antão no cenário musical do país, enviado que fora pelo governo para especializar-se na Europa, tal notícia se espalhara. A Praça Anita Garibaldi, onde ocorreu o lançamento do Hino, estavam, assim, lotada de gente, vinda de todos os pontos da cidade, um tablado tendo sido erguido defronte ao portão principal do Grupo Escolar “Dr. Washington Luis” para acomodar os grupos. Embora eu contasse apenas cinco anos de idade, pude apreciar o evento à distancia, sentada nos braços de minha mãe, a professora Glória, toda orgulhosa em meu vestido de tafetá rosa. O brilho dos galões dourados, enfeitando o casaco azul marinho dos componentes da banda, atraíram sobremaneira o meu olhar infantil, sem contar o entusiasmo de que me vi tomada, ao ouvir a primeira execução pública do hino com que Batatais fora presenteada. Os aplausos que se seguiram foram efusivos, estendendo-se prolongadamente e enchendo de emoção os corações dos espectadores.

Os anos se passaram e, no início deste novo século, outro filho da terra, o professor Herquinho (Hércules Olivério) conhecido pelos batataenses por alegrar inúmeras serenatas realizadas na cidade, como participante da Turma do Sereno e autor de preciosas composições musicais, alem de ser conhecido como músico hábil, executante de vários instrumentos, como a flauta, o violão, o acordeão, o violino e, ate mesmo o teclado, já avançado em idade e com a saúde fragilizada, chamou à sua casa uma antiga aluna, a professora de Português Maria Clarisse Bombonato Prado, revelando-lhe ter, há muito, composto um hino a Batatais, que gostaria de ver letrado e trazido a público. Clarisse veio, então, até mim, pedir que eu escrevesse a letra para o hino, tarefa que aceitei como prova de amor a Batatais.

Foi assim que, as vinte e três horas do dia dois de outubro de 2009, por ocasião do lançamento do livro “Histórias de Batatais Contadas às Crianças”, no antigo salão nobre da Câmara Municipal, com a presença do professor Herquinho, o hino por ele composto foi apresentado ao público pelo coral regido pelo batataense Marcelo Paula Rocha, encontrando-se a partitura e letra, bem como a biografia do autor, em meu livro. Na ocasião, todas as escolas da cidade foram contempladas com um exemplar do mesmo, acompanhado do CD com o hino de Hércules Olivério.

Convém, portanto, que os caros conterrâneos, e também aqueles que não o são, mas amam igualmente esta terra, saibam que Batatais não conta com apenas um hino feito em sua honra, mas dois, ambos frutos do amor e gratidão por seu torrão natal.

Frente a frente com Pilatos, ao ser interrogado pelo governador romano, Cristo não hesitou em responder: “Dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”, o que, em outras palavras significa: “agi com justiça”. Em relação aos dois hinos compostos em homenagem a Batatais, peço ao povo desta terra e os seus governantes o mesmo: agir com justiça, dando a eles o lugar que merecem ocupar.

Batatais, 18 de dezembro de 2014

Hino a Batatais

Das vertentes de águas cristalinas,

Aos campos lindos das araras,

Sopra a brisa tão mansa, vespertina,

Beijando as verdes searas

Bem no alto da cúpula imponente,

A cruz ilumina a cidade,

Bom Jesus, abençoa nossa gente,

Patrono da comunidade.

Batatais, das noitadas serestas,

Retretas, claro arrebol,

Dos desfiles solenes e das festas,

Das flores, em dias de sol.

Na famosa catedral, os vitrais

Inundam de cor nossas almas,

Portinari e suas telas geniais

São dignos de loas e palmas

Berço ilustre de filhos valorosos,

De Altino ao caro Monsenhor,

Terra amada, de feitos gloriosos,

Recebe, aqui, nosso louvor.

Batatais, de belíssimos jardins,

Palmeiras dançando ao luar,

Nosso amor ultrapassa os confins,

Iremos sempre te lembrar.

Manacás olorosos e roseiras

Adornam praças e quintais,

E trinam as aves, nas tardes fagueiras,

Aninhadas nos laranjais.

Batatais, dos artistas e poetas,

Fascínio e inspiração.

De Germano as raízes mais diletas

Definem nossa tradição.